Artigo traduzido e editado por Vera Natale | Autor: Jeff Rizzie, gerente de Usinagem Digital na Sandvik Coromant, EUA  | Publicado na revista “O Mundo da usinagem” (OMU), edição impressa n.º 117 e em seu respectivo site, em agosto de 2017. Fotos: Sandvik Coromant (Suécia).

O Big Data já é uma realidade acessível que pode incluir o seu negócio no mapa da Indústria 4.0

De olho em maior competitividade, empresas do mundo todo estão na onda de coletar e analisar um imenso volume de dados armazenados na nuvem. A Dow Chemical coleta dados de 188 plantas de produção e os usa para reduzir erros de previsão de 40% para menos de 10% — uma melhoria significativa para uma empresa que compra mais de US$ 24 bilhões em bens e serviços, a cada ano.

A Coca-Cola aproveita o big data para analisar rendimentos das colheitas, dados meteorológicos, imagens de satélite e outros fatores, tudo isso para manter consistência no sabor de suas bebidas durante todas as estações. A empresa também conseguiu reduzir os custos de horas extras em 46%, analisando os dados de seus centros de atendimento aos colaboradores.

E a John Deere está colocando pontos de coleta de dados em seus tratores para que os agricultores possam otimizar o uso de combustível e plantar da maneira mais efetiva possível. Obviamente, esse é um passo importante para alimentar um mundo com “fome de dados”, pois ao mesmo tempo em que oferece ao fabricante de máquinas potencial para uma coleta simplificada de dados estatísticos sobre o uso de seus equipamentos, torna possível manter a receita e as oportunidades de melhoria contínua.

VALE PARA TODOS

Esses exemplos podem ser interessantes para esses segmentos, mas você deve estar se perguntando: “Qual a relevância do Big Data para nós, que ganhamos a vida usinando peças todos os dias?”. Há quanto tempo o torno está funcionando; como está o atual andamento de um trabalho importante; qual é a expectativa da vida útil da ferramenta em uma operação de usinagem crítica etc. — essas preocupações são, sem dúvida, as que mais importam para uma gestão eficiente de uma fábrica.

Jeff Rizzie, gerente de usinagem digital na Sandvik Coromant, EUA: “Qual a relevância do Big Data para nós, que ganhamos a vida usinando peças todos os dias?”

Porém, graças à Industria 4.0 e à Internet das Coisas Industrial (IIOT – Industrial Internet of Things), as fábricas de hoje têm enormes oportunidades de responder a essas questões relacionadas à produção e muito mais. As respostas permitem às fábricas prever falhas iminentes em máquinas ou ferramentas, otimizar processos, melhorar a qualidade e o tempo de produção, monitorar o equipamento e a eficiência dos colaboradores.

Melhor ainda, existem centenas de provedores de serviços e tecnologia prontos para ajudá-lo na manufatura inteligente e que estão habilitados a fornecer dados. A plataforma de soluções conectadas para usinagem digital, o CoroPlus® da Sandvik Coromant oferece, por exemplo, uma série de ferramentas para manter conectados entre si os recursos do chão de fábrica, as pessoas e os sistemas de software. Ferramentas equipadas com sensores, soluções integradas a softwares e monitoramento remoto são alguns dos recursos que possibilitam processos de usinagem, do pedido à entrega, muito mais rápidos, inteligentes e com menos desperdício.

É um momento único, embora incerto na comunidade da manufatura, e muitos ainda preferem só se concentrar em fazer o que sempre fizeram: produzir peças. Porém, essa provavelmente não é uma boa ideia, porque independentemente de você querer fazer parte ou não da indústria 4.0, seus concorrentes certamente o farão. Os fabricantes devem se adaptar a essa nova realidade, que não tem volta, para se manterem competitivos.

Jeff Rizzie, gerente de usinagem digital na Sandvik Coromant

DADOS A PERDER DE VISTA

Talvez sua fábrica ainda esteja coletando dados de fabricação em notebooks e planilhas de Excel. Pior, você pode permitir que esses dados permaneçam somente na cabeça de alguns funcionários “mais qualificados”. Se essa for sua realidade, você está sofrendo um tremendo risco, que pode ser muito reduzido se você abraçar o big data.

Existem muitos tipos de dados que são bastante fáceis de trabalhar/analisar, ou de reunir em um banco de dados qualquer, desde que você dedique um pouco de tempo e esforço. Porém, há certos dados com que precisamos lidar em que a dedicação já não basta, a experiência e a capacidade humana de análise devem entrar em jogo mais do que nunca. Por exemplo, o que fazer quando o fuso de uma máquina fica quente ao toque? Ou que ação deve ser tomada quando os cavacos de uma operação de fresamento começam a mudar de cor e formato? A boa notícia é que o desenvolvimento de respostas automatizadas para essas situações já é possível, em virtude da possibilidade de acesso a esse tipo de dados e programação de softwares inteligentes.

Em outras palavras, há dados que já podem ser melhor gerenciados por um computador, usando um software capaz de analisar tendências e fazer previsões baseadas em monitoramento contínuo da vibração da máquina, forças de corte, medições em processo e outras informações relacionadas ao processo. São o tipo de dados chamados dark data (“dados escuros”), algo que até recentemente era bem difícil de coletar para a maioria dos que trabalham na indústria da manufatura e que, no entanto, são a essência do IIOT (Industrial Internet of Things – Internet das Coisas Industrial).

PRIMEIROS PASSOS

Vamos imaginar por um momento que você acabou de comprar um novo centro de usinagem ultramoderno com sensores de temperatura e vibração incorporados, ou adicionou tais capacidades a uma máquina mais antiga. E agora? Para começar, você precisará de uma rede por meio da qual essa “avalanche” de dados recém-criada possa passar. Você precisará de servidores e sistemas de armazenamento para coletar esses dados, e provavelmente de um pacote de software para exibir esses dados de forma utilizável.

Você também irá precisar de um ser humano com conhecimento e experiência para dar sentido a tudo isso, alguém com autoridade para tomar decisões e ações baseadas nessa nova fonte de informação. Caso contrário, por que ter todos esses dados?

Dados em si e por si só não têm sentido. A informação que pode ser tirada desses dados é que agrega valor.

Pode parecer muito trabalhoso, mas as evidências mostram que o ROI (Return on Investment – Retorno sobre o Investimento) sobre tais iniciativas consegue ser medido em meses, em vez de anos. Mesmo para aquelas fábricas que não estão dispostas, ou preparadas, ou até mesmo financeiramente impossibilitadas de optar por seguir esse caminho, há muitos pequenos passos que podem ser trilhados para melhorar a sua base de gestão de dados.

Informações sobre as ferramentas de corte são um bom ponto de partida. Coletar e organizar os dados dessas ferramentas e das respectivas montagens em uma biblioteca de ferramentas, como o CoroPlus® ToolLibrary, da Sandvik Coromant, ou equivalente, permite uma troca contínua de dados com softwares CAM, pré-ajuste rápido das ferramentas e máquinas-ferramenta, simplificando as operações de programação, além de download de recomendações de dados de corte com apenas um clique. O ToolLibrary, por exemplo, ainda proporciona um local centralizado para armazenar outros dados relativos à montagem de ferramentas, sem risco de se perderem na próxima vez que um funcionário experiente se aposente.

À medida em que as fábricas entram na “onda” do big data, um novo tipo de funcionário se fará necessário. É bem provável que o operador do futuro fique bem confortável em realizar uma análise de dados, enquanto mede uma peça ou define uma ferramenta. É também provável que essa pessoa seja apoiada por um extenso banco de dados e um sistema de monitoramento inteligente, ou mesmo algum tipo de inteligência artificial (IA) que mantém o pessoal da fábrica informado sobre as milhares de atividades que acontecem a todo instante.

Mas isso ainda é para o futuro. Começar pequeno, e agora com o big data, dá a todos a chance de se sentir confortável com a nova tecnologia, mantém o investimento sob controle e minimiza a disrupção no chão de fábrica. Também evita surpresas desagradáveis como as indesejáveis paradas de máquinas, sucata, danos às máquinas e todas as outras coisas que mantêm operadores acordados à noite.

Então o que você está esperando? Há um monte de dados esperando por você. É hora de começar a coleta!

O mundo da manufatura já conta com softwares capazes de analisar tendências e fazer previsões
baseadas em monitoramento contínuo do processo
Vera Natale

Author Vera Natale

Sou consultora e especialista em Escrita e Comunicação Descomplicada. Ajudo empresas e pessoas a traduzir ideias e projetos em palavras fáceis de entender e comunicar no seu dia a dia, por meio de técnicas criativas.

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